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Operação da PF ligada ao caso Dark Horse tem alvo em Rio Claro

O empresário Dayvid Moreira Medeiros, está entre os investigados na Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A investigação também analisa movimentações financeiras que chegaram à produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dayvid, que é sócio de uma editora e presidiu o Rio Claro FC entre 2019 e 2013, foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na decisão que autorizou a operação, Dayvid é identificado como sócio da Dinâmica Editora e Distribuidora de Livros, empresa com sede no município. A Polícia Federal o aponta como “figura central” do grupo editorial contratado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB).

A Operação Make Up foi deflagrada na quinta-feira (10), com apoio da Controladoria Geral da União. Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

A origem da investigação 

O Instituto Conhecer Brasil é uma organização presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama. A entidade recebeu recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, entre elas emendas apresentadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP).

Segundo a investigação, duas emendas de Frias destinaram, ao todo, R$2 milhões ao ICB. Um dos projetos financiados previa ações de letramento digital e empreendedorismo.

Para executar parte desse projeto, o Instituto Conhecer Brasil contratou empresas, entre elas a Dinâmica Editora, de Dayvid Medeiros. A empresa recebeu R$400 mil para o fornecimento de material pedagógico.

A Controladoria-Geral da União (CGU), porém, identificou vínculos entre empresas que participaram da pesquisa de preços realizada antes da contratação. Segundo a decisão do STF, as propostas apresentadas tinham o mesmo valor, de R$400 mil.

A investigação aponta ainda relações societárias, familiares e comercias entre empresários e empresas participantes das contratações. Para a Polícia Federal, há indícios de que a pesquisa de preços tenha sido montada para justificar a contratação.

Como o caso chega ao filme Dark Horse 

É a análise das movimentações financeiras posteriores que estabelece a conexão da investigação com o filme Dark Horse. De acordo com a Polícia Federal, a Dinâmica Editora recebeu R$400 mil do Instituto Conhecer Brasil, enquanto o Instituto Super Poder Educacional, ligado ao mesmo núcleo empresarial investigado, recebeu R$300 mil.

Posteriormente, a NTT Brasil, apontada pela investigação como ligada ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$750 mil para a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. A Go Up pertence a Karina Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil.

As transferências para a produtora ocorreram no período em que o filme estava sendo produzido. A investigação aponta que a Go Up movimentou cerca de R$19 milhões entre novembro e dezembro de 2025, período que coincide com as gravações do longa.

A proximidade entre os valores e a sequência das operações financeiras chamaram a atenção dos investigadores. A hipótese investigada é se valores inicialmente repassados pelo ICB às empresas contratadas circularam posteriormente por outras empresas do grupo até chegar à produtora do filme. Essa possível triangulação está sob investigação.

O que diz Dayvid Medeiros 

A TV Claret entrou em contato com Dayvid Medeiros por telefone, e-mail e por meio das empresas citadas na investigação, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.