30/10/2015

Crianças acessam mais internet em casa que na escola

O estudo considera o uso de internet por crianças e adolescentes de 9 a 17 anos.

Enquanto as crianças brasileiras ainda contam com uma baixa proporção de acesso à internet na escola, uma tendência aponta para o aumento do uso em ambientes privativos. Esses são alguns dos resultados apresentados pelo relatório Crianças e o uso da Internet: uma análise comparativa entre o Brasil e sete países europeus, que traz dados de Brasil, Bélgica, Dinamarca, Irlanda, Itália, Portugal, Romênia e Reino Unido.

O estudo considera o uso de internet por crianças e adolescentes de 9 a 17 anos. Os resultados foram obtidos a partir da comparação entre os dados europeus do projeto Net Children Go Mobile e a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2013, conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, por meio do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR).

Os sete países europeus que compõem a pesquisa foram selecionados pelo Net Children Go Mobile, trazendo um recorte que representa contextos de uso diversos. Embora reconheça a dificuldade de estabelecer comparações entre locais com culturas, infraestruturas de comunicação e níveis de penetração da internet distintos, o relatório aponta que as diferenças significativas entre o cenário brasileiro e europeu podem ser relevantes em termos de políticas públicas. Para Maria Eugenia Sozio, analista da pesquisa TIC Kids Online Brasil, os resultados ajudam a conscientizar gestores sobre a necessidade de olhar para o tema.

 

Uso da internet na escola

“Um dos pontos principais que mereceria a atenção de políticas públicas é a nossa proporção baixa de acesso à internet na escola”, destaca Maria Eugenia. Apenas 36% das crianças brasileiras afirmaram usar a internet no ambiente escolar, enquanto 56% usam em casa ou algum local privativo. Os dados comparativos da pesquisa identificaram que o Brasil tem um acesso inferior do que a maioria dos países considerados, ficando na frente apenas da Itália, com 26%. Enquanto isso, no Reino Unido e na Dinamarca a porcentagem fica entre 88% e 80%, respectivamente.

Alguns fatores foram apontados pelo estudo como itens que contribuem para a formação desse cenário. Entre eles, medidas proibitivas restringem o uso de dispositivos móveis, além da baixa qualidade e velocidade de internet nas escolas públicas. “Esse tipo de política pública vai na direção oposta do que os estudos têm nos apontado sobre a contribuição da internet para o ensino e aprendizagem”, afirma Maria Eugenia.

De acordo com dados do Censo Escolar de 2013, apenas 58% das escolas brasileiras têm acesso à internet, sendo que 48% dispõem de banda larga. A velocidade também representa um empecilho, já que muitas instituições são contempladas pelo Programa Banda Larga nas Escolas com os 2 Mbps (megabits por segundo), velocidade insuficiente para a utilização de diversas ferramentas pedagógicas.

 

Principais atividades

Visitar sites de redes socais foi uma das atividades mais mencionadas pelas crianças brasileiras, com 52% das respostas. Em seguida aparecem as opções pesquisas para satisfazer a curiosidade (35%) e trocas de mensagens instantâneas (30%).

“As crianças no Brasil tendem muito mais a se engajar em atividades de comunicação e entretenimento, assim como em outros países”, analisa Maria Eugenia. Enquanto a visualização de vídeos aparece em primeiro lugar para dinamarqueses (70%), romenos (58%), irlandeses (49%) e britânicos (49%), as redes sociais são a principal atividade para italianos (59%), brasileiros (52%), portugueses (50%) e belgas (48%), com idades entre 11 e 16 anos.

 

No total, 78% das crianças e adolescentes brasileiros estão presentes nas redes sociais com um perfil próprio, colocando o país em segundo lugar no ranking, ao lado da Romênia. Em primeiro lugar está a Dinamarca com 81%. “Essa forma de interação entre os adolescentes na rede poderia ser aproveitada no ambiente educacional”, diz, ao mencionar que os educadores devem começar a olhar como os alunos estão se relacionando com a internet.

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